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Galerie d'Apollon do Museu do Louvre, onde as joias da coroa francesa foram roubadas em outubro de 2025
Atualizado em 26 de janeiro de 2026

O assalto ao Louvre em 2025: como os ladrões roubaram as joias da coroa de França em oito minutos

Na manhã de 19 de outubro de 2025, aconteceu o impensável no museu mais visitado do mundo. Quatro ladrões, disfarçados de operários da construção civil e munidos de ferramentas elétricas, entraram à força na lendária Galerie d'Apollon do Louvre e fugiram com oito peças inestimáveis das joias da coroa francesa. O espólio, avaliado em 88 milhões de euros, incluía tiaras, colares e brincos que outrora adornaram imperatrizes e rainhas. Toda a operação demorou menos de oito minutos. Foi o primeiro grande roubo de arte no Louvre desde 1998 — e o assalto mais audacioso da história recente de França.

88 M€
Valor estimado
8
Peças roubadas
4
Minutos no interior
5
Arguidos acusados

Um domingo de manhã como nenhum outro

O Louvre abriu as portas às 9h00, como em qualquer outro domingo. Trinta minutos depois, um pequeno camião com uma plataforma elevatória para mudanças — presença habitual nos bairros de Paris — estacionou junto ao lado do museu voltado para o Sena. O que aconteceu a seguir iria chocar o país.

Dois homens com coletes de alta visibilidade amarelos e laranja subiram para o cesto da plataforma e elevaram-se até uma varanda no primeiro piso. Os rostos estavam cobertos por balaclavas. Com um disco de corte, abriram caminho através de uma janela de vidro e entraram na Galerie d'Apollon — a galeria dourada do século XVI que, desde o século XIX, acolhia as joias da coroa de França.

Lá dentro, os ladrões ameaçaram os seguranças com as ferramentas elétricas, forçando o pessoal a evacuar a sala. Em seguida, voltaram os discos de corte para duas vitrinas de vidro posicionadas no centro da galeria. Em poucos minutos, tinham extraído nove peças de joalharia, enchendo os bolsos antes de recuarem para a janela.

Ao descerem na plataforma, encontraram dois cúmplices à espera em motas potentes. Na pressa da fuga, um dos ladrões deixou cair a coroa da imperatriz Eugénie na rua. Outra peça — um alfinete-relicário em diamantes — ficou esquecida na própria galeria. Mas os oito restantes desapareceram com o grupo, que fugiu ao longo do Sena, mudou para uma carrinha e acabou por se dissipar nos subúrbios.

"Vimos algumas imagens: não têm como alvo as pessoas, entram calmamente em quatro minutos, partem as vitrinas, pegam no espólio e saem. Sem violência, muito profissional."
— Ministra da Cultura, Rachida Dati

Os tesouros roubados

As peças levadas representam algumas das joias mais importantes da história de França — adornos que, em tempos, coroaram imperatrizes, rainhas e princesas durante as eras imperial e monárquica do país.

Peças confirmadas como roubadas:

  • Conjunto de safiras da rainha Maria Amélia — tiara, colar e um brinco de um conjunto que incluía originalmente broches pertencentes a Hortense de Beauharnais
  • Conjunto de esmeraldas da imperatriz Maria Luísa — colar e par de brincos, oferta de casamento de Napoleão I em 1810
  • Tiara de pérolas e diamantes da imperatriz Eugénie — criada em 1853, usada com frequência em retratos oficiais
  • Grande broche em laço de diamantes da imperatriz Eugénie — ornamento de corpete com mais de 2 000 diamantes, produzido em 1855

A coroa da imperatriz Eugénie, recuperada no local, ficou danificada quando os ladrões a puxaram por uma abertura na vitrina demasiado estreita para a sua dimensão. A diretora do museu, Laurence des Cars, confirmou que "as primeiras avaliações sugerem que será possível uma restauração delicada". O alfinete-relicário em diamantes, que contém dois diamantes Mazarin legados à coroa francesa em 1661, também foi recuperado no interior da galeria.

Notavelmente ausentes do espólio estavam várias das peças mais valiosas da galeria: o diamante Regent (avaliado em 51 milhões de euros só por si), o diamante Sancy e o diamante Hortensia. Os investigadores acreditam que os ladrões terão privilegiado objetos que pudessem ser mais facilmente desmontados e vendidos — ainda que isso permaneça especulação.

A Galerie d'Apollon no Louvre, com o teto dourado ornamentado e vitrinas que albergam as joias da coroa francesa

Falhas de segurança expostas

À medida que, nos dias seguintes ao assalto, os pormenores vinham a público, começava a desenhar-se um retrato preocupante da infraestrutura de segurança do Louvre. O museu, que recebe perto de 9 milhões de visitantes por ano, funcionava com aquilo que uma auditoria descreveu como recursos de segurança "obsoletos e inadequados".

A Prefeitura de Polícia de Paris tinha entregue uma avaliação confidencial de segurança à direção do museu apenas seis semanas antes do roubo — a 29 de agosto de 2025. O relatório alertava para "mobiliário e equipamentos informáticos obsoletos" nas salas de controlo e referia que o pessoal não dispunha de ecrãs suficientes para acompanhar, em tempo real, todas as câmaras.

Principais falhas de segurança

  • Apenas 39% das salas do museu eram monitorizadas por câmaras de videovigilância
  • A única câmara na Galerie d'Apollon estava orientada para longe da janela utilizada pelos ladrões
  • A palavra‑passe do sistema de vigilância seria, alegadamente, "Louvre"
  • Uma auditoria de cibersegurança de 2014 tinha já alertado para palavras‑passe "triviais" e software desatualizado
  • O sistema de alarme localizado da galeria encontrava‑se avariado à data do roubo

Os sindicatos vinham alertando há muito tempo para o enfraquecimento da segurança devido à redução de efetivos, precisamente numa altura em que a afluência ao museu crescia. No dia do assalto, o sindicato Union syndicale Solidaires divulgou um comunicado denunciando "a destruição de postos de trabalho de segurança" no Louvre. Um relatório posterior do Cour des Comptes concluiu que o museu tinha "privilegiado operações visíveis e atrativas" em detrimento de trabalhos essenciais de manutenção e de reforço da segurança.

A investigação

A procuradora de Paris, Laure Beccuau, destacou mais de 100 investigadores para o caso. Em menos de uma semana, chegaram as primeiras detenções. Vestígios de ADN recolhidos de um capacete deixado no local conduziram a polícia até um homem na casa dos trinta anos, oriundo do subúrbio operário de Seine‑Saint‑Denis. Um segundo suspeito foi detido no aeroporto Charles de Gaulle quando se preparava para embarcar num voo com destino à Argélia.

No final de novembro de 2025, as autoridades tinham já detido os quatro homens que se acredita terem executado o assalto. Uma quinta suspeita — uma mulher de 38 anos, companheira de um dos homens — foi acusada de cumplicidade, mas libertada sob controlo judicial. Todos os suspeitos são da região parisiense e tinham antecedentes criminais, embora sobretudo por delitos menores e não por assaltos sofisticados.

Linha temporal da investigação:

  • 25 de outubro — Primeiros dois suspeitos detidos; ADN compatível com vestígios no local
  • 29 de outubro — Ambos admitem parcialmente envolvimento; mais cinco suspeitos detidos
  • 31 de outubro — Mais dois suspeitos formalmente acusados
  • 25 de novembro — Quatro novas detenções; identificado o último membro do grupo de quatro homens
  • 27 de novembro — Quarto suspeito acusado; acredita‑se ser o condutor que estacionou o camião

A procuradora Beccuau caracterizou o assalto como obra de "pequenos delinquentes, mais do que de profissionais do crime organizado" — uma avaliação surpreendente, tendo em conta a precisão da operação. Os investigadores, porém, salientam sinais de stress na fuga: a coroa caída, o broche abandonado, vestígios de ADN deixados em luvas e motas. Continua por esclarecer se alguém terá encomendado o roubo.

Em janeiro de 2026, as joias roubadas continuavam por localizar. Beccuau declarou que "não há indícios de que as joias tenham provavelmente atravessado a fronteira", mas reconheceu que "tudo é possível". Os investigadores trabalham com contactos internacionais no mundo da arte para detetar qualquer sinal de reaparecimento das peças.

As imagens tornam‑se públicas

Em janeiro de 2026, três meses após o assalto, a televisão francesa divulgou imagens de videovigilância captadas no interior da Galerie d'Apollon. O excerto de três minutos, transmitido pela France Télévisions e pela TF1, mostrava o roubo a desenrolar‑se com uma clareza arrepiante.

As imagens revelam vários seguranças concentrados à entrada da galeria quando o primeiro ladrão irrompe pela janela. Um dos vigilantes chega a pegar, por instantes, num pilar de separação — uma barra metálica usada para controlar filas — e segura‑o como se fosse um taco, parecendo ponderar o confronto. Rapidamente abandona a ideia e junta‑se aos colegas, que já tinham evacuado a sala.

Os ladrões atuam com aquilo que um observador descreveu como "determinação imperturbável". Depois de cortarem as vitrinas, o primeiro ladrão usa as mãos nuas para partir o vidro que resta, apanhando as joias e enchendo os bolsos. Em seguida ajuda o cúmplice, antes de ambos treparem novamente até à janela e descerem para a rua.

O museu defendeu o seu pessoal, sublinhando que os seguranças são formados para dar prioridade à segurança dos visitantes e não estão preparados — nem se espera que estejam — para enfrentar intrusos armados. Ainda assim, as imagens intensificaram a crítica pública aos protocolos de segurança da instituição.

Repercussões políticas e resposta institucional

O assalto gerou de imediato uma onda de indignação política. O presidente Emmanuel Macron condenou o crime como "um ataque a um património que acarinhamos porque é a nossa história". O líder da Reunião Nacional, Jordan Bardella, classificou o episódio como uma "humilhação intolerável", enquanto Marine Le Pen o descreveu como "uma ferida na alma francesa".

A diretora do museu, Laurence des Cars, compareceu a 22 de outubro perante a Comissão de Cultura do Senado, reconhecendo uma "falha terrível" nos sistemas de vigilância do museu. Confirmou que apresentara a demissão ao Ministério da Cultura no próprio dia do assalto, mas que a mesma foi recusada.

Nas semanas que se seguiram, o Louvre transferiu várias das joias mais preciosas que ainda permaneciam em exposição para o Banco de França, a título de precaução. Desde então, o museu instalou grades nas janelas da Galerie d'Apollon — um lembrete visível das lacunas de segurança que permitiram o roubo. Desde então, o museu instalou grades nas janelas da Galerie d'Apollon — um lembrete visível das lacunas de segurança que permitiram o roubo. Macron ordenou a aceleração da implementação das recomendações de segurança constantes da auditoria realizada antes do assalto.

O episódio coincidiu também com conflitos laborais já em curso no museu. Greves sindicais sobre salários e efetivos levaram a encerramentos parciais e totais nos últimos meses, expondo as tensões entre as ambições globais do Louvre e os desafios práticos de gerir uma das maiores instituições culturais do mundo.

Um histórico de roubos no Louvre

O assalto de 2025 junta‑se a uma lista curta, mas infame, de roubos no Louvre. O mais célebre ocorreu em 1911, quando o funcionário italiano Vincenzo Peruggia saiu do museu com a Mona Lisa escondida debaixo do casaco. A pintura foi recuperada dois anos mais tarde, em Itália, depois de Peruggia tentar vendê‑la a um negociante de arte em Florença.

Mais recentemente, em 1998, foi roubada do museu uma tela de Jean‑Baptiste‑Camille Corot intitulada Le Chemin de Sèvres. A obra nunca foi recuperada. Na altura, o diretor do Louvre, Pierre Rosenberg, alertou para o facto de a segurança do museu ser "frágil" — um aviso que se revelaria profético quase três décadas depois.

O roubo de 2025 também surgiu na sequência de uma vaga de furtos em museus franceses ao longo desse ano. Em setembro, ouro avaliado em 600 000 euros foi levado do Museu Nacional de História Natural, em Paris. Em novembro de 2024, o Museu Cognacq‑Jay e o Museu Hiéron sofreram igualmente perdas significativas. Algumas dessas peças foram entretanto recuperadas; outras continuam desaparecidas.

As joias voltarão a ser encontradas?

Especialistas em recuperação de arte manifestaram um pessimismo cauteloso quanto ao destino das joias roubadas. Chris Marinello, diretor executivo da Art Recovery International, alertou que os ladrões "não vão mantê‑las intactas; vão desmontá‑las, fundir o metal precioso, voltar a lapidar as pedras de valor e apagar as provas do crime".

Coroas e tiaras podem ser desmontadas com relativa facilidade, vendendo‑se depois as pedras individualmente a colecionadores ou negociantes que talvez não façam muitas perguntas sobre a sua proveniência. O valor histórico e artístico das peças — irrecuperável sob qualquer perspetiva — perder‑se‑ia por completo.

A procuradora Beccuau indicou que qualquer pessoa que se apresente para devolver as joias poderá beneficiar de "arrependimento ativo, que poderá ser tido em conta" em tribunal. Resta saber se os arguidos acabarão por revelar o paradeiro do espólio — ou se alguma vez souberam realmente onde ele foi parar —, uma das grandes incógnitas deste caso.

"Ainda não dissemos a última palavra. Levará o tempo que for preciso."
— Procuradora de Paris, Laure Beccuau

Visitar o Louvre hoje

O Louvre reabriu ao público a 22 de outubro de 2025, três dias após o assalto — embora a Galerie d'Apollon tenha permanecido encerrada enquanto os peritos analisavam a cena do crime e se implementavam novas medidas de segurança. A galeria já reabriu desde então, e vários visitantes notam agora uma maior presença de segurança em todo o museu.

Para quem planeia uma visita, as extraordinárias coleções do Louvre mantêm‑se intactas. A Mona Lisa, a Vénus de Milo, a Vitória de Samotrácia — estas obras‑primas continuam a atrair milhões de pessoas todos os anos. As joias da coroa que permanecem, incluindo o diamante Regent, continuam expostas na Galerie d'Apollon, agora protegidas por medidas de segurança reforçadas.

O roubo acrescentou um capítulo sombrio à história da galeria, mas também reavivou o interesse público por estes tesouros. Para muitos visitantes, as vitrinas vazias são um lembrete pungente tanto da beleza perdida como da fragilidade até do património cultural mais protegido.

Viver o Louvre com os nossos tours

Apesar do assalto, o Louvre permanece aberto e continua a receber milhões de visitantes todos os anos. As medidas de segurança foram reforçadas e as vastas coleções do museu — que abrangem milhares de anos de criatividade humana — continuam em exposição. A reserva antecipada é fortemente recomendada, especialmente em épocas de maior afluência.

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